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Cooperativismo de plataforma é alternativa para oferta de serviços no meio digital

02/07/2019
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A população mundial vem convivendo, nos últimos anos, com o advento de serviços que são disponibilizados por meio de plataformas digitais. Hoje em dia, aplicativos de transporte e hospedagem por exemplo são comuns no cotidiano das pessoas, conectando clientes e fornecedores.

Para além desse novo modelo de prestação de serviços, chamado de economia de compartilhamento, está crescendo a proporção da versão mais humana desse formato: o cooperativismo de plataforma. E o que esse novo modelo propõe é que os donos das plataformas sejam os próprios prestadores do serviço ou seus usuários, ou melhor, que elas sejam geridas por cooperativas.

O professor Trebor Scholz, um dos primeiros a utilizarem o termo, explicou no livro Cooperativismo de Plataforma, que as cooperativas podem atuar no mercado tecnológico proporcionando serviços acessíveis aos consumidores, porém geridos pelos princípios cooperativistas. Um dos principais benefícios desse movimento é desenvolver alternativas mais justas em meio ao panorama de economia compartilhada.

Outro estudioso do tema, o consultor em gestão com experiência em mais de 30 organizações e 13 países e especialista em Gestão Estratégica de Cooperativas, Travis Higgins, explica como surgiu o modelo. “O movimento que apoia a transformação digital do cooperativismo surgiu em meados de 2014 como resposta à precarização do trabalho por meios digitais. O Instituto para a Economia Digital Cooperativista (ICDE) já mapeou um ecossistema de mais de 350 iniciativas relacionadas em 26 países e 97 cidades do mundo”, afirma.

Mário de Conto, diretor geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), afirma que esse formato foi pensado para convencionar a propriedade e o controle das plataformas pelos trabalhadores. “Tais cooperativas podem possibilitar que pessoas que estão de fora do fenômeno da digitalização possam ser não apenas incluídas na troca de serviços, mas tornarem-se verdadeiras beneficiadas. Elas oferecem poder de dono e voto aos cooperados, reduzindo assim, desigualdades e a concentração do poder para os agentes que detêm o capital (o software hoje em dia) e não apenas o trabalho”, explica. De Conto ressalta ainda que, no cooperativismo de plataforma, aqueles que fornecem o serviço passam a ter a possibilidade de definir suas margens de retorno e fazer a autogestão.

Inovações em Minas

Seguindo a tendência mundial, as cooperativas mineiras já assumiram uma postura de renovação tendo em vista o cooperativismo de plataforma. Entre elas, a Cooperativa dos Empreendedores já foi, inclusive, agraciada por sua iniciativa nessa seara.

Eles venceram o edital do Concurso de Projetos: Soluções Inovadoras para o Carnaval de Belo Horizonte, com o aplicativo BH Folia (http://www.bhfolia.com.br/). Uma plataforma colaborativa que conecta blocos, produtores culturais, patrocinadores, turistas, foliões, a cadeia produtiva do turismo e o poder público em uma interface única para viabilizar iniciativas e impulsionar negócios dentro do ecossistema do Carnaval de Belo Horizonte.

De acordo com o Diretor da cooperativa, Ricardo Alexandre Santos, esta foi a ação inicial no escopo da iniciativa Cooperup, primeira incubadora de ações de inovação e empreendedorismo, com foco na melhoria dos produtos e serviços fornecidos por cooperativas no mercado.

“Nosso intuito é atrair os jovens para o cooperativismo. Para isso, é preciso oferecer opções de tecnologia e inovação no meio cooperativista, sem perder de vista os princípios e valores que norteiam esse modelo econômico”, comenta Santos.

Outro exemplo mineiro é a Coopertáxi BH, que após o lançamento da sua plataforma digital para fornecimento de transporte, no ano de 2014, teve crescimento de 70 mil corridas ao mês para cerca de 130 mil.

O presidente da cooperativa, Clauber Borges, afirma que houve aumento e fidelização de cooperados, bem como a procura para se associar aumentou com o aplicativo. “Hoje temos 438 associados e contamos com 350 parceiros que nos ajudam a atender a grande demanda por corridas. Dentre esses freelancers, muitos anseiam por se tornarem cooperados. Por isso, no final de junho faremos uma assembleia para votar a permissão do aumento do nosso Quadro Social”, esclarece.

Exemplos no mundo

Em Nova Iorque, três cooperativas de trabalho especializadas em limpeza residencial se juntaram para desenvolver a plataforma “Up&Go”. Enquanto agências e aplicativos intermediários normalmente cobram de 20 a 50%, a Up&Go retém somente 5% do valor do serviço.

Existe ainda a canadense EVA, cooperativa de transporte individual e privado, que promove o deslocamento das pessoas a preços justos, e também a FairBnb, que intermedia alugueis de casas, quartos e hotéis. Essa última, além de focar sua governança na democracia e na propriedade coletiva, difere da plataforma AirBnb, que presta serviços semelhantes, por sua legalidade, transparência e impacto socioambiental, afinal, 50% das sobras é investido em projetos comunitários indicados pela própria população.

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