
Criação do segmento foi aprovada por unanimidade, em março, durante Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo Sistema OCB
O coop brasileiro está se preparando para ingressar em um novo mercado: o segurador, cujo faturamento atingiu os R$ 435,5 bilhões em 2024. Para garantir uma entrada com força e representatividade no segmento, o Sistema OCB propôs a criação de um novo ramo exclusivo. Esse oitavo ramo — Seguros — foi oficialmente criado no dia 18 de março, em Brasília, durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pelo Sistema OCB. A proposta foi aprovada por unanimidade e a expectativa é de que ele seja promissor para o coop.
“A criação do ramo Seguros marca um momento histórico para o cooperativismo brasileiro”, afirmou o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas. Ele lembrou que o novo segmento cooperativista é fruto da recente sanção da Lei nº 213/2025, que autorizou a entrada das coops em um setor com potencial para crescer 15% ao ano, daqui para frente. “Abrimos um novo caminho para as cooperativas poderem atuar no mercado segurador de forma justa e acessível”, comemora Lopes de Freitas. “Nossa conquista fortalece o setor e amplia o acesso da população a seguros mais inclusivos, além de promover impacto socioeconômico positivo para milhões de brasileiros.”
APOIO EM MINAS
O presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, participou da Assembleia Geral Extraordinária que aprovou a criação do Ramo Seguros. Ele destacou a importância dessa mudança para a ampliação dos resultados e da competitividade do coop brasileiro. “O cooperativismo de seguros veio para agregar com oferta de produtos e serviços financeiros justos e eficientes”, analisou o decano do cooperativismo brasileiro. “O Sistema Ocemg estará ao lado das cooperativas mineiras, oferecendo suporte técnico e capacitação para que possam atuar com segurança, governança e competitividade nesse novo cenário”.
O QUE ESPERAR DO MERCADO DE COOPERATIVAS DE SEGUROS NO BRASIL
Logo após a criação do ramo Seguros, o Sistema OCB realizou um seminário para esclarecer o potencial desse novo segmento para o nosso modelo de negócios. O evento Cooperativismo de Seguros: um novo capítulo para o coop reuniu centenas de pessoas em um evento híbrido, transmitido ao vivo no canal do YouTube da instituição.
Veja um resumo do que foi dito pelos palestrantes:
“O seguro sempre existiu como ferramenta de proteção financeira, mas, aqui, no Brasil, a adesão ainda é baixa: apenas 17% das residências são seguradas, enquanto em países desenvolvidos esse número ultrapassa 90%. Isso mostra o potencial das cooperativas para crescer no segmento. Se as cooperativas de seguros forem bem estruturadas — com governança, transparência e foco na sustentabilidade — elas podem mudar a forma como os brasileiros lidam com riscos e proteção financeira”
Angélica Carlini, advogada com mais de 40 anos de atuação no mercado segurador
“O cooperativismo de seguros movimenta 1,41 trilhão de dólares por ano e cobre quase 900 milhões de pessoas no mundo. Sua consolidação dependerá de um marco regulatório adequado, tecnologia acessível e produtos adaptados às necessidades dos cooperados.”
Edwar Potter, consultor da Federação Internacional de Seguros Cooperativos e Mútuos (ICMIF), entidade setorial da Aliança Cooperativa Internacional (ACI)
“A implementação da LC 213/2025 será um divisor de águas para o setor segurador brasileiro. O compromisso da Susep será o de garantir uma regulamentação que favoreça o crescimento do cooperativismo de seguros, mantendo a segurança e a estabilidade do mercado. Esse modelo regulatório será construído com base em escuta ativa, consulta pública e incentivo à educação financeira como caminho para ampliar o acesso aos seguros no país.”
Carlos Queiroz, diretor de Supervisão Prudencial e Resseguros da Superintendência de Seguros Privados (Susep)
“A capacitação de cooperativas e profissionais será decisiva para consolidar o novo ramo do cooperativismo [Seguros] no país. A entrada das cooperativas no segmento traz muitas oportunidades, mas exige conhecimento técnico para garantir segurança aos cooperados e confiança ao mercado”.
Lucas Virgílio, presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS)